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Mulher era submetida a rituais de tortura e hoje está reconstruindo a vida

Data da Postagem: 07/03/2018 | Fonte: Correio do Estado
(Foto: Divulgação).

Com 30 anos de casada, a monitora de alunos R.M.A, de 54 anos, - cuja identidade será preservada -, começou a viver um pesadelo dentro de casa. Foram cinco anos de tortura pelo ex-companheiro, que hoje está preso. Um ano e meio após o fim das agressões, ela comemora a reconstrução de sua nova vida com o apoio do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam), do governo do Estado.

As mudanças são visíveis. "Eu não tinha mais cabelo porque ele arrancou quase tudo de tanto me arrastar pela casa. Hoje tenho prazer em comprar roupas novas, quero andar arrumada, olha como meu cabelo já está bonito", diz ela em um dia de terapia.

Quando questionada pelo motivo de aceitar a situação, ela conta qual era seu maior temor: "Ele dizia que se eu contasse para alguém, descontaria nas minhas filhas e netas. Ele sabia do meu amor por elas, que eu não deixaria elas correrem esse risco". As duas filhas são do casal, que também têm seis netas. 

 

TORTURA

As sessões de tortura sofridas pela vítima parecem saídas de um filme. Todos os dias quando ela chegava em casa tinha que se despir, ajoelhar sobre um tapete cheio de cascalhos e equilibrar na cabeça uma bacia cheia de tijolos.

Ela conta: "Era isso diariamente. Quando eu chegava do trabalho ele dizia: vai para a pedreira. E ali eu ficava até o outro dia". Somente quando o marido saía para trabalhar é que ela era liberada. Segundo a vítima, enquanto ela ficava naquela situação, ele assistia A filmes de terror e a questionava sobre um relacionamento que ela teve antes dele.

Em junho de 2016 a situação chegou ao extremo, quando durante a sessão de tortura ele tentou enforcá-la e ela correu para rua. 

Ela procurou uma amiga, que a levou à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), na Casa da Mulher Brasileira. Enquanto ela registrava a ocorrência, o marido esteve na frente do prédio. "Eu queria me esconder debaixo da mesa de tanto medo", lembra.

Ele a procurou mesmo depois do registro da ocorrência, foi ao seu trabalho e disse que a chefe a estava escondendo. Também foi a casa da filha, que gravou todas as ameaças e usou no processo. Hoje, ele está preso pelos crimes e condenado a cinco anos. "Estou reforçando a segurança da minha casa. Hoje ainda tenho medo, mas é melhor porque antes era pavor" ressalta.

 

PROTEÇÃO

Com a aprovação da Lei Maria da Penha, as mulheres passaram a ter asseguradas pela Justiça medidas protetivas de urgência, como forma de garantir sua integridade. Além da prisão dos agressores pelo crime de violência, as vítimas podem ser protegidas por medidas protetivas, encaminhadas a programas de proteção, recebimento de pensão, além de ações para inibir a ação do agressor.




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